quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Como Prata disse: é tudo sem limite.

Eu sempre fui muito fã de um 'cara' que tinha uma coluna em um revistinha adolescente fútil. Talvez, a única página dedicada aos pensamentos do escritor, era também a única página na revista que tinha algum 'proveito'. Nos fazia pensar ou apenas discordar. Esse escritor, Antônio Prata, sempre foi, pra mim, um revoltado com uma mente brilhante.
Um dia desses, um dia tedioso pertencente a um período de tédio - que as pessoas chamam de férias - eu encontrei algumas dessas revistas e em uma delas, um texto que achei típico de Antônio Prata:

NÃO DÁ
- quem disse que querer é poder?

" Numa esquina dos Jardins, em São Paulo, há uma loja de roupas. Em cima da loja, há a foto de um cara que parece o David Beckham. Ao lado do suposto Beckham, há um textinho que começa mais ou menos assim: "Nada é impossível. Impossibilidade é uma palavra para fracos, pra quem não tem força de vontade, para quem se acomoda e ver a vida passar (...)"
Céus! A mentalidade que produz esse tipo de texto é uma das maiores causas de angústia do nosso tempo. Afinal, impossível não é uma palavra para fracos, é uma palavra para qualquer um que sabe que dois mais dois são quatro. Tente atravessar uma parede, transformar uma maça numa ovelha com o poder da mente ou enfiar uma kombi dentro de um fusca. Pois é, não rola. Assim como não dá para ir a Paris com R$ 15,70, para tocar a Nona Sinfonia sem estudar piano e ganhar US$ 1 milhão sem mexer a bunda. (Aliás, mesmo mexendo a bunda, vai ser bem difícil.)
Vivemos um tempo que oferece todos os estímulos para o desejo, mas quase nenhum consolo para a frustração. Você quer, você pode! Mentira! Eu, por exemplo, quero a Fernando Lima já, aqui na minha frente (amanhã eu termino essa coluna...). Fernanda? Fernaaaaaaaanda?! Caramba, nada dela por aqui...
Outro dia estava num bar com um amigo, o Fabrício, e comecei a sentir um clima estranho. Era um boteco sujo de Pinheiros. Depois de alguns minutos, houve o início de uma briga e resolvemos ir embora. Fui pagar a conta no caixa. Um anúncio de cigarros dizia algo como "sem limites".
Todos os povos que existiram sobre a Terra criaram algum tipo de droga, geralmente usadas em rituais e eventos religiosos. Por que será que fomos os únicos a difundir o vício?
Eu não sou o Beckham. Eu não namoro a Fernanda Lima. Eu não tenho dinheiro para ir a Paris no próximo fim de semana. (Transformar uma maçã numa ovelha com o poder da mente, atravessar paredes e enfiar uma kombi num fusca também não está ao meu alcance, mas tampouco consta na minha lista de desejos). Acho que vou num psiquiatra dizer que estou frustrado com o meu fracasso. Ele vai me receitar uma dessas drogas da felicidade ou similares. Talvez fosse mais sensato e saudável olhar o céu azul lá fora, lembrar que existem filmes do Fellini, que tenho grandes amigos como o Fabrício e, poxa, há tantas meninas bonitas e legais andando pela cidade. Mas isso não basta se eu quero tudo, se quero muito e quero já. Aí, somente
as drogas, dos laboratórios internacionais ou dos botecos sucos, podem resolver... "
(Antônio Prata - Capricho, 26-6-2005)

Um comentário:

Débora L. Freitas disse...

Mas o "esqueceram de mim" que vai dar amanhã, não é com o loirinho trocinho do Maicou Diéquissín!

Ah, eu entendi a crítica do sr. Antônio Prata, mas essas mensagens de "você quer, você pode", às vezes, são para estimular você a correr atrás do que você quer. Desmontar uma combe, com muito estudo da técnica, para colocá-la dentro de um fusaca, saca?
Mas isso sem levar em consideração a suposta "mensagem subliminar" de todas as coisas, que todos encontram em tudo!

Então, bom Natal, e ano novo taaaambéééémmm...

=P