Um dia desses, um dia tedioso pertencente a um período de tédio - que as pessoas chamam de férias - eu encontrei algumas dessas revistas e em uma delas, um texto que achei típico de Antônio Prata:
NÃO DÁ
- quem disse que querer é poder?
- quem disse que querer é poder?
" Numa esquina dos Jardins, em São Paulo, há uma loja de roupas. Em cima da loja, há a foto de um cara que parece o David Beckham. Ao lado do suposto Beckham, há um textinho que começa mais ou menos assim: "Nada é impossível. Impossibilidade é uma palavra para fracos, pra quem não tem força de vontade, para quem se acomoda e ver a vida passar (...)"
Céus! A mentalidade que produz esse tipo de texto é uma das maiores causas de angústia do nosso tempo. Afinal, impossível não é uma palavra para fracos, é uma palavra para qualquer um que sabe que dois mais dois são quatro. Tente atravessar uma parede, transformar uma maça numa ovelha com o poder da mente ou enfiar uma kombi dentro de um fusca. Pois é, não rola. Assim como não dá para ir a Paris com R$ 15,70, para tocar a Nona Sinfonia sem estudar piano e ganhar US$ 1 milhão sem mexer a bunda. (Aliás, mesmo mexendo a bunda, vai ser bem difícil.)
Vivemos um tempo que oferece todos os estímulos para o desejo, mas quase nenhum consolo para a frustração. Você quer, você pode! Mentira! Eu, por exemplo, quero a Fernando Lima já, aqui na minha frente (amanhã eu termino essa coluna...). Fernanda? Fernaaaaaaaanda?! Caramba, nada dela por aqui...
Outro dia estava num bar com um amigo, o Fabrício, e comecei a sentir um clima estranho. Era um boteco sujo de Pinheiros. Depois de alguns minutos, houve o início de uma briga e resolvemos ir embora. Fui pagar a conta no caixa. Um anúncio de cigarros dizia algo como "sem limites".
Todos os povos que existiram sobre a Terra criaram algum tipo de droga, geralmente usadas em rituais e eventos religiosos. Por que será que fomos os únicos a difundir o vício?
Eu não sou o Beckham. Eu não namoro a Fernanda Lima. Eu não tenho dinheiro para ir a Paris no próximo fim de semana. (Transformar uma maçã numa ovelha com o poder da mente, atravessar paredes e enfiar uma kombi num fusca também não está ao meu alcance, mas tampouco consta na minha lista de desejos). Acho que vou num psiquiatra dizer que estou frustrado com o meu fracasso. Ele vai me receitar uma dessas drogas da felicidade ou similares. Talvez fosse mais sensato e saudável olhar o céu azul lá fora, lembrar que existem filmes do Fellini, que tenho grandes amigos como o Fabrício e, poxa, há tantas meninas bonitas e legais andando pela cidade. Mas isso não basta se eu quero tudo, se quero muito e quero já. Aí, somente
as drogas, dos laboratórios internacionais ou dos botecos sucos, podem resolver... "
(Antônio Prata - Capricho, 26-6-2005)


Um comentário:
Mas o "esqueceram de mim" que vai dar amanhã, não é com o loirinho trocinho do Maicou Diéquissín!
Ah, eu entendi a crítica do sr. Antônio Prata, mas essas mensagens de "você quer, você pode", às vezes, são para estimular você a correr atrás do que você quer. Desmontar uma combe, com muito estudo da técnica, para colocá-la dentro de um fusaca, saca?
Mas isso sem levar em consideração a suposta "mensagem subliminar" de todas as coisas, que todos encontram em tudo!
Então, bom Natal, e ano novo taaaambéééémmm...
=P
Postar um comentário