Tantas batalhas eu travei comigo mesma... contra meus sentimentos, contra minhas vontades, contra meus erros, contra meus arrependimentos. Mais do que perde-las, muitas vezes eu me traí.
Seria a guerra particular que declaramos, silenciosamente, contra nós mesmos, a mais cruel e duradoura das guerras? Por que muitas vezes batalhamos tanto contra nós mesmos?
Seria o ideal eu afirmar que, uma vez percebidas, as guerras cessariam. Mas seria utópico demais da minha parte, ou talvez inocente. As lutas continuam mesmo quando já estamos em paz. Todo dia é uma luta diferente: uma luta para sermos melhores soldados, uma luta para ganharmos novas batalhas, uma luta para termos melhores estratégias.
Das piores batalhas que enfrentei, uma das maiores cruéis foi negar o que eu sentia. Carregar sentimentos dentro de mim, como se fossem corpos esquecidos em um campo de batalha, só postergou uma guerra que poderia ter acabado mais cedo, se eu fosse forte o suficiente para declarar paz. Uma vez que eu os libertei de mim, por mais dolorosos que fossem, o sentimento de paz reinou. Até que eu fosse humana, ou vulnerável, novamente para travar uma nova batalha.
Foram anos lutando contra mim mesma, nos mais variados campos de batalha. Usei armas que só me feriram, declarei vitórias que não me trouxeram nenhuma glória.
Todo dia, uma nova batalha começa. A luta contra uma vontade, contra um vício, contra um arrependimento... até quando podemos aguentar até sermos vencidos?
O conflito mais longo que enfrento é o da autossabotagem, ou da auto-mentira. Mentir para mim mesmo acaba sendo uma das minhas estratégias mais dolorosas. Negar o que eu vejo, o que eu sei, por medo de assumir minhas falhas, acaba me tornando um soldado mais fraco, mesmo que ainda vivo.
Como posso cessar fogo se sou minha maior inimiga em algumas situações? E se travo batalhas contra mim mesmo, quem é meu aliado?
Quando finalmente tive forças para admitir que vivia uma realidade que me entristecia, percebi que havia uma matriz de coragem dentro de mim, forças para lutar e mudar. Meses se passaram para que eu pudesse alinhar estratégias e sair da situação que eu estava. Todo um plano de ação foi montado. Venci a batalha mais longa e difícil da vida. Sobrevivi. Para trás ficaram pessoas, situações, lembranças e sentimentos. Foram 4 anos de história que viraram vagas lembranças, como em um livro. Raramente folheio as páginas dessa minha história. Essa guerra foi vencida. Uma nova veio e, curiosamente, me sinto um soldado cansado. Apesar da coragem, a força as, vezes, não vem.
Talvez as nossas guerras sejam feitas de planejamento em algumas situações e de execução em outras. Talvez as nossas batalhas só são vencidas quando a encaramos com estratégia e entendemos as fases que nos encontramos.
Apesar de já ter as estratégias em mente, ainda busco aquele soldado forte dentro de mim. Talvez ele só precise descansar para enfrentar as novas lutas pela frente.
Inspirado em: The Great War - Taylor Swift


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