segunda-feira, 8 de junho de 2026

sobre a minha paixão pelo Anthony Bourdain.

 8 de junho é meu dia pessoal de comemorar a vida do meu maior ídolo. 


Das maiores lições e amores platônicos que eu tive, o Anthony talvez seja o maior deles.

Mais do que alguém para admirar, ele era uma figura a quem eu inspirava ser. Das viagens, das escutas, das conversas, do carisma, das rebeldias, dos aprendizados... um homem que apanhou da vida e a viveu da forma mais intensa possível: aprendendo lições com cada uma das experiências que teve. 

Mais frequentemente do que gostaria de admitir, pego me comparando com ele. Como ele viveria no meu lugar? O que falaria? Onde visitaria? Quais conselhos me daria? 

E sempre me respondo: ele não me daria respostas, me faria novas perguntas. Por que não seria essa a graça da vida... se questionar? 


Entender que há muito para aprender e viver é um bom passo. Muitas vezes me peguei triste achando que não estava vivendo bem, ou que estava atrasada na vida. Até que, racionalmente, me relembro o fato de que - há sim, muito, e muito, o que se viver. Seremos eternos aprendizes na vida se nos colocarmos nessa posição. Não sabemos tudo, não consumiremos tudo. Cabe a cada um entender o que realmente importa para si e ter sede de experimentar tais coisas. 




portanto, para que eu possa sempre me lembrar de que a vida é cheia e que há muito por vir, eis as coisas que aprendi com Anthony Bourdain: 

- Lembre-se que você não está atrasado. Anthony era cozinheiro raiz, até os 44 anos. Era indisciplinado, arrogante e prepotente. As coisas só começaram a melhorar depois dos 40 para ele. No livro Cozinha Confidencial, Bourdain conta que sua arrogância o fazia acreditar que ele era o melhor churrasqueiro de NY, até que foi demitido pelos novos donos do restaurante. Foi esse susto que o fez querer melhorar na carreira. O livro, que o fez ficar famoso, só surgiu nos anos 90. Portanto, não estamos atrasados como a internet nos faz crer. Qualquer idade é idade para se começar algo novo. 

- Não seja o que você não é. Anthony era raiz, gostava de rock n roll e não fingia finesse no meio das celebridades. Durante as entrevistas, ouvia mais do que falava. E, quando necessário, falava o que o ouvinte precisava ouvir. Ainda assim, era o cara mais carismático e genuíno possível. Também não fingia uma felicidade que ele não sentia. Por mais triste que isso possa parecer, eu gosto de pensar que ele viveu sendo honesto consigo. 

- Não precisa fazer o que todo mundo faz. Ele não viajava como um turista médio. Ele não ia para a Times Square tirar fotos - embora isso possa parecer ok para alguns. Ele sentava nos restaurantes locais, que não tinham Estrelas Michelin, e ouvia. Anthony ouvia muito. Suspeito que era isso que o fazia tão interessante. 

- Busque beleza até nas coisas mais simples. Ele não precisava de escargot para aproveitar uma boa refeição. Ele não precisava viajar de primeira classe, nem precisava de roupas da moda. Ele via beleza em tudo.

- Seja um eterno aprendiz. A maior graça do programa "Parts Unknown" é justamente ver Anthony na posição de aprendiz da vida. Há sempre algo a se ouvir se ficarmos quietos. 

- Não precisamos estar certos. Talvez a maior graça da vida seja estar errado ou não saber das coisas. 

- Disciplina é importante. Prazer também é. Embora eu não beba mais, nem seja tão rock n roll como ele, Anthony me ensinou que prazer também é importante. Seu corpo não é um templo, é um parque de diversões, se divirta. O importante, nesse caso, é entendermos o que é prazer para nós (e não o conceito que nos vendem). 


- Planos são importantes, mas não devem ser rígidos. Talvez a lição mais difícil da minha vida, visto que eu sempre fui uma vítima do perfeccionismo. Sempre acreditei que minha vida devia seguir aquele plano perfeito que eu montei na minha cabeça. Não demorou muito para que a vida me mostrasse que, bom, planos falham. Anthony dizia para deixarmos a vida fluir um pouco mais, largamos preconceitos e ouvirmos mais, já que as viagens dele muitas vezes sofriam imprevistos. 

- Se você não arriscar a refeição ruim, nunca terá a refeição mágica. 


Sentimos sua falta, Anthony. ❤


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