sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O que eu não ouvi.


Um pássaro vermelho apareceu perto de mim. Tão bonito. Cantou. Ao seu redor, na cidade, eram produzidos tantos sons... o ônibus lotado passando na rua, os carros e a mais moderna tecnologia, os rádios com músicas em alto volume, crianças brincando, crianças rindo, crianças chorando, pessoas comentando sobre o tempo, a chuva, o sol, casas sendo construídas, casas sendo destruídas, aviões, caminhões, o comércio, a indústria, relógios, mulheres com sapatos altos, assobios, barulho, barulho e mais barulho. Ouvi tudo e não ouvi nada. Não ouvi o canto do belo pássaro, tão próximo. Não ouvi meu próprio silêncio.

O silêncio está acabando...


* Dedicado à minha inspiração em forma de pessoa: a ti, aos teus olhos e ao encanto que tu me ofereces, assim, gratuitamente... porque, para mim, até teu silêncio basta.

O Silêncio - Arnaldo Antunes

2 comentários:

Mister A disse...

O silêncio, excelente assunto.
Para uns o silêncio pode significar omissão.
Para outros abandono.
Considero o silêncio uma forma de expressão, ele pode expressar um sentimento, uma situação e revela muito mais do que palavras, gestos e até mesmos atitudes.
Abaixo um trecho de um diálogo de um filme que me lembrei quando estavas lendo o seu blog o filme em questão é um dos meus filmes prediletos(Pulp Fiction,1994).

A cena em questão é quando a Mia(Uma Thurman) está em um encontro com o Vincent(John Travolta).


Mia: - Don't you hate that?
Vincent: - What?
Mia: - Uncomfortable silences. Why do we feel it's necessary to yak about bullshit in order to be comfortable?
Vincent: - I don't know.
Mia: - That's when you know you found somebody special. When you can just shit the fuck up for a minute, and comfortably share silence.


Sensacional, fascinante sou um fã dos filmes do tarantino, seja pelo uso da violência, ou pelos sensacionais diálogos e até sobre as imprevisibilidade das situações que acontecem nos seus filmes.
Mais voltemos ao assunto principal.
Concordo em partes com a Mia Wallace, sou um apreciador do silêncio, gosto de sentir as coisas, que elas fluam de forma suave e natural.
O silêncio revela coisas que não podem ser externadas, ditas ou cogitadas.
Hipóteses, situações, idealizações, timidez, para mim ,o silêncio, é o companheiro inseparável do platônico.


A cena citada pode ser vista no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=p3lY10mQmhg

No mais parabéns pelo Blog,pois eu continuo escondido no silêncio da minha timidez e na necessidade de permanecer oculto, contudo estou na esperança de que o silêncio finalmente seja rompido.

Anônimo disse...

EnJoy the silence.